Professores do município decretam estado de greve

Assembleia do dia 24 de abril também debateu os riscos da reforma da previdência e aprovou uma série de ações de mobilização da categoria

O magistério municipal de Santa Maria está oficialmente em estado de greve. A decisão foi tomada pela maioria dos presentes na assembleia geral extraordinária do SINPROSM, realizada na noite do dia 24 de abril, no salão da AABB. A medida, que reforça a insatisfação da categoria com a falta de avanços nas negociações salariais e a forma como vem sendo conduzido o debate sobre a reforma da previdência, marca uma nova fase da mobilização dos professores.

“A apresentação pelos professores e aprovação da proposta de estado de greve pela assembleia sinaliza que a categoria está atenta e não vai recuar na defesa dos direitos. Será um estado permanente de mobilização junto à categoria e à comunidade mostrando que não admitiremos perder direitos duramente conquistados”, afirmou Celma Pietczak, coordenadora de Comunicação e Formação Sindical do sindicato.

A assembleia, convocada durante a 26ª Semana Nacional em Defesa e Promoção da Educação Pública, teve como pauta principal o relato da primeira reunião do Conselho Consultivo da Reforma da Previdência. Participam do colegiado representantes do Executivo, do Legislativo e dos servidores. O SINPROSM integra o grupo, mas reforça que as deliberações só serão feitas com a base da categoria. “O momento é de diagnóstico, e isso é entre o IGAM e o IPASSP. Vamos propor quando for este momento. Não vamos deixar a prefeitura construir uma narrativa de diálogo onde não há diálogo real. Estamos atentos ao que vai ser mexido e vamos defender nossos direitos”, concluiu Celma.

Por vídeo, o matemático e especialista em previdência social Luciano Fazio apresentou um panorama histórico da previdência brasileira e abordou possibilidades de cenários críticos que estão sendo implantadas em municípios brasileiros. Fazio está assessorando o SINPROSM tecnicamente na consultoria da temática, o que vai embasar a análise detalhada das propostas quando forem oficialmente apresentadas.

Após o debate, os professores presentes aprovaram diversas propostas de encaminhamento. Entre elas:

  • Participação na audiência pública sobre a reforma da previdência, no dia 30/04, proposta pela vereadora Helen Cabral
  • Engajamento ativo no Ato Unificado do Dia do Trabalhador, nas ruas, redes sociais e mídia tradicional
  • Criação de uma comissão de mobilização com participação de professores ativos e aposentados
  • Realização de plenárias regionalizadas e assembleias em diferentes turnos
  • Reuniões com diretores e visitas às escolas


A assembleia também foi espaço para anúncios importantes. Houve a transição no setor de comunicação: o jornalista Rodrigo Ricordi assumiu o cargo de assessor de comunicação do SINPROSM, substituindo Paulo André Dutra. A coordenação agradeceu o trabalho desempenhado por Paulo ao longo de sua trajetória e deu as boas-vindas a Rodrigo, que já atua na cobertura sindical e na criação de conteúdos para as mídias do sindicato.

Outro anúncio foi o lançamento do aplicativo oficial do SINPROSM, inicialmente disponível para celulares com sistema Android. A nova ferramenta busca aproximar os sindicalizados da rotina da entidade, reunindo informações, conteúdos das redes sociais, agenda, notícias e espaço para atualização de dados cadastrais.

Diante do cenário de incertezas e da morosidade do governo municipal em atender as reivindicações da categoria, o SINPROSM reforça a necessidade de mobilização permanente, organização e informação. “Não vamos nos desmobilizar com promessas ou reuniões que não resultam em avanço concreto. Nossa luta é legítima, baseada na defesa de direitos garantidos em lei e conquistados com muito esforço coletivo”, concluiu a coordenação.

O que é “estado de greve”?

O estado de greve é uma deliberação coletiva tomada por uma categoria profissional como forma de alerta e mobilização, antes da paralisação total das atividades. Ao decretar estado de greve, os trabalhadores sinalizam que estão organizados, atentos e dispostos a iniciar uma greve caso as negociações com o empregador — neste caso, a prefeitura — não avancem.

Esse mecanismo permite intensificar a pressão política e social, ampliando a visibilidade das demandas da categoria (como reajuste salarial ou defesa de direitos) e reforçando a disposição de luta. Embora o trabalho siga sendo realizado normalmente nesse período, o estado de greve autoriza o sindicato a convocar a greve a qualquer momento, caso necessário, respeitando os trâmites legais.

Texto e fotos: Rodrigo Ricordi