Keynes aos 90: investimento público, juros altos e os direitos sociais

Noventa anos após a publicação de A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, de John Maynard Keynes, suas ideias continuam atuais. A experiência brasileira recente mostra a importância do Estado na promoção do crescimento, do emprego e da proteção social. No terceiro governo Lula, o PIB cresceu 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025, enquanto a taxa anual de desemprego caiu para 5,6% em 2025, o menor nível da série da PNAD Contínua iniciada em 2012. O investimento público, especialmente por meio do Novo PAC, também teve papel relevante nesse movimento.

Para trabalhadores e professores, esses números representam mais do que indicadores econômicos: significam empregos, renda e maior capacidade de consumo das famílias. Quando o Estado investe, a economia reage.

Mas esse ciclo encontra um obstáculo importante nos juros elevados. A Selic chegou a 15% ao ano em 2025, encarecendo o crédito, desestimulando investimentos e reduzindo o ritmo do consumo. O crescimento do consumo das famílias, que havia sido de 5,1% em 2024, caiu para 1,3% em 2025.

Há também um impacto sobre as contas públicas. Juros elevados aumentam o custo do serviço da dívida e pressionam recursos que poderiam financiar áreas essenciais, como educação, saúde e infraestrutura. O trabalhador acaba pagando essa conta duas vezes: como contribuinte e pela redução da capacidade do Estado de garantir serviços públicos e direitos sociais.

Aos 90 anos da Teoria Geral, permanece uma questão fundamental: que projeto de desenvolvimento queremos para o Brasil? Defender investimento público, emprego, serviços públicos de qualidade e condições dignas de trabalho também é defender os interesses da classe trabalhadora.

Para o movimento sindical, discutir economia é discutir direitos. As escolhas sobre juros, investimento e atuação do Estado também determinam o país em que vamos trabalhar, viver e nos aposentar.