Educação e participação política

O Sindicato dos Professores Municipais de Santa Maria/SINPROSM participou do 35º Congresso Nacional da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação/CNTE, ocorrido nos dias 15 a 18 de janeiro de 2026, em Brasília, tendo como tema “Educação, Democracia, Sustentabilidade e Soberania”.

No referido congresso, em um dos painéis, a senadora Tereza Leitão, se pronunciou sobre o papel social da educação pública e a valorização docente, destacando a necessidade urgente de intervenções  dos professores nos cenários políticos do país. Na verdade, a valorização da carreira docente e a participação dos professores nos espaços decisórios para a implementação de políticas públicas consistentes e realistas são premissas fundamentais para a viabilização de uma educação pública de qualidade. No entanto, a representação docente é discreta nas casas legislativas municipal, estadual e federal. Eis, então, o grande desafio: o engajamento político docente.

A participação dos professores na política precisa ser radicalizada. Historicamente, a voz dos professores não foi ouvida na construção e definição dos programas educacionais. Desta forma, o caminho a ser percorrido envolve organização coletiva e a representação docente nas câmaras de vereadores, assembleias e congresso nacional. Como sabemos, há bancadas temáticas muito bem articuladas no Congresso Nacional. E a bancada da educação?

E seguem questionamentos: a aprovação da Lei nº 14.113/2020, com alterações no funcionamento do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação/FUNDEB, a possibilidade da terceirização dos serviços nos espaços escolares, a ampliação do número de contratos de professores, o valor do piso nacional do magistério,  a contratação de empresas privadas para realização de programas de formação e produção de material didático-pedagógico e  a retirada de direitos dos profissionais da educação contemplam os interesses da sociedade civil, professores e estudantes?

Não há como considerar que a presença representativa dos professores nas casas legislativas municipal, estadual e federal poderia ter afetado a aprovação de leis e emendas nefastas à educação.

O desafio está posto: o engajamento político docente na defesa de uma educação pública de qualidade e a valorização dos profissionais da educação.