Defasagem no salário dos professores é maior do que 54%

Entenda como a inflação e as más gestões “engoliram” o salário dos professores de Santa Maria

Mais do que números em uma planilha, a evolução salarial dos professores municipais de Santa Maria nas últimas décadas é a crônica de um empobrecimento severo e contínuo. Um detalhado estudo econômico encomendado pelo Sindicato dos Professores Municipais (SINPROSM) ao economista Ricardo Rondinel joga luz sobre o tamanho do prejuízo: a categoria amarga uma perda real de poder de compra que exige um reajuste imediato de mais de 30% apenas para que os salários voltem a ter o mesmo valor de mercado que tinham no passado.

O levantamento resgata o histórico dos vencimentos desde abril de 1989, data de aprovação do Plano de Carreira da categoria, e projeta os dados até maio de 2026. O diagnóstico é implacável: a inflação oficial (medida pelo INPC-IBGE) engoliu 23,42% do salário dos educadores. Na prática, isso significa que o salário atual compra muito menos alimentos, paga menos contas e oferece uma qualidade de vida significativamente inferior à de anos anteriores.

O que é “perda do poder de compra”?
Na economia, o maior inimigo do trabalhador é a inflação. Ela funciona como um “imposto invisível”. Imagine a seguinte situação prática:

O Exemplo do Supermercado:

Se com o salário de alguns anos atrás um professor conseguia encher quatro carrinhos de compras no supermercado, hoje, com o mesmo salário, ele só consegue encher três carrinhos. O dinheiro é o mesmo, mas as coisas ficaram tão caras que o salário perdeu o valor.
Para que os professores pudessem voltar a comprar exatamente as mesmas coisas que compravam antigamente, a prefeitura precisaria dar um reajuste imediato de 30,59%.

Aumento da inflação e congelamento local

O documento aponta que o quadro de desvalorização se agravou drasticamente nos últimos dois anos. Enquanto o custo de vida seguiu subindo, a Prefeitura de Santa Maria não concedeu nenhuma reposição inflacionária ou aumento real aos professores em 2025 e 2026.

Essa paralisia local contrasta com o cenário nacional. O Piso Salarial Profissional Nacional (PSPN) teve reajustes de 6,27% em 2025 e 5,4% em 2026. Como Brasília atualizou o piso e Santa Maria congelou os salários, a distância entre o que o professor santa-mariense ganha e o que ele deveria ganhar por lei federal transformou-se em um abismo: a defasagem salarial em relação ao piso nacional atingiu a alarmante marca de 54,29% em 2026.

Pense no Piso Nacional como uma escada rolante que vai subindo para acompanhar o custo de vida. O Piso Nacional subiu dois degraus (6,27% em 2025 e 5,4% em 2026).

O impacto das gestões e o desafio para o futuro

De acordo com os cálculos do economista, essa perda de poder de compra foi construída em camadas. A gestão do ex-prefeito Jorge Pozzobom deixou uma herança pesada, sendo responsável por cerca de 30% dessa defasagem acumulada. Já a atual administração, liderada por Rodrigo Décimo, permitiu que o salário encolhesse ainda mais, acumulando outros 12% de perda ao não acompanhar as atualizações nacionais do piso.

Para o SINPROSM, os dados do estudo servem como um alerta urgente e uma ferramenta de pressão. Diante de uma perda tão expressiva de poder de compra, o economista sugere dois caminhos: exigir da prefeitura uma recomposição imediata — seja cobrando os 12,01% sonegados nos últimos dois anos ou estruturando um plano de longo prazo para reaver os 30% corroídos no passado — para que a profissão de educador em Santa Maria volte a ser financeiramente sustentável.